A Duda tinha cinco anos quando apareceu um caroço no rosto que não passava com nada. Fez operação, fez tratamento, a mãe correu atrás de tudo o que podia.
O caroço ficou. Cresceu no osso do rosto, chegou na coluna, e aos sete anos as pernas dela pararam de responder. Ela nunca mais andou.
Desde então, quem anda por ela é a mãe. É ela que tira a Duda da cama, põe na cadeira, leva pro banho, faz oito anos.
Ela tem trinta e quatro anos e as costas já não aguentam como antes.
A mãe da Duda não pode trabalhar fora. Além da Duda tem o irmão de seis anos, que é especial e não fica com mais ninguém.
Quem sustenta a casa é o padrasto, catando reciclável no lixão de sol a sol. O que ele traz paga a comida.
Esse ano o caroço cresceu como nunca. Foi dito que o tratamento segura, e que se começar agora, ainda pode colocar a Duda de pé.
Tem caminho para resolver. Só que ele custa mais do que essa família consegue juntar em dez anos.
A Duda fala que forte não é ela. Forte é a mãe que carrega ela todo dia, e o padrasto que chega do lixão de mãos cortadas perguntando se ela tá bem.
Faz dez anos que essa família segura tudo sozinha.
Hoje, pode ser que o gesto de cada um que está lendo faça algo de bom nessa história.
E tudo pode começar aqui em baixo: